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20 de outubro de 2017

Antigo líder de facção criminosa do RS, Brasa é morto com mais de 50 tiros

A polícia tenta esclarecer as circunstâncias da morte do homem que chegou a representar um dos maiores símbolos de poder do crime nas cadeias gaúchas entre os anos 1990 e o começo dos anos 2000. Valmir Benini Pires, o Brasa, 51 anos, foi executado com pelo menos 50 disparos de pistola 9mm na manhã de quinta-feira (19), no bairro Mathias Velho, em Canoas. Conforme os investigadores da Delegacia de Homicídios da cidade, Brasa saía de casa com a sua moto para trabalhar naquele momento. Ele era motoboy em um serviço de tele-entrega desde 2012, quando foi beneficiado pela liberdade condicional.
Não houve testemunhas do crime, ocorrido na Rua Santo Ângelo pouco antes das 9h. Peritos recolheram 80 estojos de munição no local. O crime é tratado como uma execução, mas o que intriga os investigadores é que, desde 2012, não há qualquer relato do retorno de Pires à criminalidade.
Condenado a 41 anos e um mês, com penas que deveria cumprir até 2056, por quatro roubos, uma condenação por receptação e um latrocínio (roubo com morte), Pires era conhecido por sua atuação em roubos até o começo dos anos 1990. Sua última condenação, no entanto, foi por um assalto cometido em 2009. Na ocasião, ele e um comparsa teriam levado R$ 98 de um restaurante na Avenida João Pessoa, em Porto Alegre.
Líder de facção
Brasa, como era conhecido desde criança, chegou a liderar pelo menos um terço dos presos no Presídio Central. Deu nome a uma facção criminosa que surgiu no Pavilhão C — hoje já derrubado —, que se opunha ao grupo até então liderado por Dilonei Melara. Pires começou a ganhar notoriedade a partir da metade dos anos 1990, enquanto cumpria pena no Central.
Em 1996, com a morte de Jorge Luís Queirós Ventura, o Jorginho da Cruz, as autoridades temiam que Melara se tornasse um líder incontestável nas cadeias, formando uma facção criminosa hegemônica. Brasa, que tinha influência sobre presos no Pavilhão C, foi chamado pela direção do presídio que lhe propôs a organização dos presos conforme as regras de disciplina da cadeia. Ali, surgia o grupo depois conhecido como Brasas. A organização cresceu até o início dos anos 2000 e, em 2005, no ano em que Melara foi morto, uma rebelião no Presídio Central deixou um morto e nove feridos. Naquela altura, os Brasas já tinham dado origem a uma nova facção, hoje já praticamente inexistente atrás das grades.
A polícia agora pretende apurar como estavam as relações de Pires no mundo do crime. Ainda não há suspeitos e a forma como seus algozes agiram na manhã de quinta também não foi esclarecida.

Fonte: GauchaZH
Santo Augusto Urgente

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